sábado, 26 de dezembro de 2009

TRIBUTO A TOBI

Quando fui morar no sitio adotei o Tobi. Ele foi meu companheiro fiel por algum tempo. Dormia na porta da casa, e quando eu punha o pé para fora ele estava pronto para me acompanhar onde quer que eu fosse.


Deixado solto, aos poucos foi descobrindo a rua. Fazendo amizade na vizinhança. Inclusive com outros animais, que às vezes trazia para casa com ele.


Animal dócil e afetuoso, tornou-se conhecido de todos, e estimado especialmente pelas crianças, que o chamavam pelo nome e faziam questão de lhe dar um carinho quando o encontravam. E Tobi também sempre tinha um abanar de cauda especial para seus amiguinhos, na casa dos quais muitas vezes filava comida.


Muitas vezes pensei em prendê-lo em casa, mas como sabia que ele amava a liberdade, e que tinha amigos pela redondeza, achei injusto guardar sua amizade só para mim.


Então na quinta feira, véspera de Natal, enquanto preparava a ceia de Natal para minha família, recebi a noticia que um caminhão o atropelara.

A vizinhança acorreu para acudi-lo, mas não puderam fazer nada. Morreu escutando palavras de carinho das pessoas que o estimavam e lamentavam sua partida.


Foi enterrado no pomar. Próximo do galinheiro onde apascentava as galinhas quando se soltavam. Onde brincava com o gatinho. E por onde corria, livre e feliz, durante os anos em que ficou conosco.


Sentiremos sua falta!


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Para a Ceia de Natal: ANEL DE LEGUMES

RECEITA TESTADA E APROVADA, COM UM BELO VISUAL PARA DECORAR A MESA NA SUA CEIA NATALINA.

INGREDIENTES:

3 colh (sopa) de óleo 1 cebola pequena picada
2 xic de cenouras raspadas e cortadas em cubinhos

1/4 xic de água (para cozinhar a cenoura)
1 xic de ervilhas frescas ou congeladas
1 e 1/2 xíc (200g) de milho em conserva, escorrido

1 xic de tomates maduros, sem pele e semente, cortados em cubinhos

1 xic de presunto cortado em cubinhos
1/2 xic de cebolinha verde picada
4 colh (sopa) de salsa picada

1/2 xic de farinha de trigo

1/2 xic (50g) de queijo parmesão ralado
5 ovos

sal, pimenta e noz-moscada


PREPARO:

1) Aqueça o óleo em fogo médio, junte a cebola e deixe dourar levemente. Acrescente a cenoura e a água, tampe a panela e cozinhe até a cenoura ficar levemente crocante. Tire do fogo.

2) Acrescente os ingredientes restantes, tempere com sal, pimenta e noz-moscada e misture bem.

3) Coloque a mistura numa forma de anel com capacidade de 1,5 litro (cerca de 6 xic) untada com manteiga e polvilhada com farinha de rosca e nivele a superficie.

4) Leve ao forno pré-aquecido em temperatura média (180ºC)e asse por cerca de 30 minutos ou até dourar.


5) Tire do forno e desenforme sobre um prato de servir.


BOM APETITE...

Cap 10 - A VIDA É FEITA DE RECOMEÇOS...


À noite, após a janta, Luiz e Laura sentaram-se frente a frente. Foi ele quem começou, pedindo desculpas pela sua impaciência, explicando que lá na sua cidade vivia rodeado pela família, tinha vida social, suas atividades e amigos. Que às vezes sentia falta de tudo aquilo. E que precisava de tempo para se acostumar a esta nova vida.


Ela, incentivada, fala das saudades que sentia de Vitor e dos filhos, da vida em comum, das saídas com amigos.

Mas que estava disposta a deixar tudo para trás e fazê-lo feliz.


Foi quando ele fez a pergunta que poderia alterar a vida de ambos para sempre, mas que não podia ser calada:


- Você está arrependida, Laura?


Ela ia argumentar, mas ele a segurou fazendo que olhasse nos seus olhos:


- Sem pensar em impossibilidades... o que o seu coração está dizendo agora?


Olhando bem dentro daqueles olhos azuis, ela não tinha como mentir. E nem quereria fazê-lo:


- Que gostaria de estar em casa, ao lado de minha família... – fala, com certa vergonha... – Mas olha, é só um...

Ele não deixou que ela continuasse. Abraçou-a forte.


- Também estou me sentindo assim, Laura. Sinto tanta falta do meu pessoal!


- Mas venceremos isso, tenho certeza! – ela diz, com convicção.


- Você quer mesmo superar? – ele perguntou.


- Claro, Luiz... estou com você, e quero ficar com você! – ela sabia que era esta a resposta mais decente. Mas não tinha tanta certeza disso!


- Laura, querida! Eu amo você e por isso mesmo, acima de qualquer outra coisa, eu quero lhe ver feliz. Se você tem alguma dúvida de sua decisão, talvez não seja tarde demais para voltar...


Ele viu em seus olhos um lampejo de esperança. E compreendeu. Uma pontada no coração lhe anunciou que sofreria de perdê-la, mas ele também tinha pra quem voltar. E de maneira mais serena do que Laura. Afinal, dissera à família que precisava de um tempo para ficar só e pensar na vida, e nada falara de separação ou outra mulher. Para ele seria chegar em casa e partir para o abraço. Já com Laura, seria mais difícil. Mas não impossível...


- Voltaremos amanhã e estarei ao seu lado pra tudo que precisar... E se não precisar, saberei sair de seu lado e deixar que siga seu caminho! – ele conclui, beijando-lhe a testa.


Ambos telefonaram para seus cônjuges. Laura escutou Luiz conversando com a esposa de maneira carinhosa, falando de saudades e certezas.


Laura diz a Vitor que sentia a falta dele e que agora começara a ver as coisas com outros olhos. Que gostaria que ele a escutasse.


Na manhã seguinte fizeram um passeio a cavalo juntos. Depois almoçaram, arrumaram as malas e seguiram até o aeroporto, onde embarcaram em vôos diferentes. Desejam-se boa sorte mutuamente, e recomendam-se, meio na brincadeira, juízo.


Luiz encontra a esposa à sua espera, no aeroporto. Quando ela lhe pergunta como estava, responde que “em paz”... E era isso que lhe ia ao coração. Paz! Sabia que havia tomado a decisão certa!


Vitor esperava por Laura no portão de desembarque. Ao vê-lo seu desejo era de abraçá-lo e lhe pedir perdão, mas sentia medo. Foi quando ele a viu e lhe sorriu, abrindo-lhe os braços em acolhida. E ela não teve dúvidas... Estava em casa...


FIM

sábado, 19 de dezembro de 2009

Cap 9 - ILUSÃO X REALIDADE


Decidem passar a quarta e última semana no Brasil, onde poderiam descansar melhor. A viagem pela Europa, apesar de boa e aprazível, deixara-os cansados e ansiosos por um tempo a sós, para relaxar.


As primeiras semanas na Europa foram de euforia, mas à medida que o tempo foi passando, Laura ia se tornando mais silenciosa e introspectiva, quase triste. Questionada, ela mesma não sabia explicar senão que se sentia dominada por uma melancolia incontrolável. Atribuem isso ao cansaço da viagem, pois ele mesmo se sentia assim, e pensou que a semana de descanso no Brasil faria com que ela voltasse ao normal.

Alojados num aconchegante hotel-fazenda, usam o tempo para dormir e relaxar. Mas mesmo assim Laura não se sentia melhor. Perdera o gosto de ficar com Luiz, de conversar, de brincar, de rir... Até mesmo o sexo se tornou mecânico, e muitas vezes, sendo evitado com desculpas de cansaço, o que começou a irritar Luiz, e a deixar Laura mais ansiosa ainda.

Na 6a feira, Luiz decide fazer uma longa caminhada pela mata circunvizinha do hotel, também para pôr em ordem seus pensamentos e sentimentos. Deixa Laura sozinha, que aproveita para também refletir seriamente na vida e no futuro.

Luiz caminha vigorosamente, sentindo o sol arder em suas costas, mas não liga... Um turbilhão de pensamentos o invadia e lhe tirava a paz.

Não tem como negar que Laura já não era a mesma, e alguma coisa de muito sério estava acontecendo com ela. Amava-a mais do que tudo e queria que ela fosse feliz. E estava nítido que isso não estava acontecendo. Será que estava arrependida?

E ele, como se sentia com relação à tudo aquilo? Como homem prático, depois de ter assumido Laura não pensou mais nos próprios sentimentos. Mas não podia negar que sentia falta da rotina de sua vida ao lado da esposa, filhos e netos. Que muitas vezes lembrava deles com saudades, querendo estar lá... E talvez este sentimento influenciasse na atual relação, e atrapalhasse o convívio com Laura. Mas não tinha este direito. Ela havia deixado tudo por ele. Faria de tudo para torná-la feliz.

Quando retornasse ao hotel conversariam e resolveriam tudo...

Laura tentou se concentrar no livro que tinha diante dos olhos, mas não conseguia. As palavras permaneciam sem sentido, por mais que as lesse. Seu pensamento voava longe. Pensava em Vitor e na história que escreveram juntos naqueles 15 anos de matrimônio que, se não foram perfeitos, foram muito bons. Lágrimas margeiam seus olhos. O que daria para voltar atrás no tempo e poder mudar o que havia feito...

Luiz era um ótimo homem, amava-o, mas era diferente. Com Vitor havia toda uma convivência, carinho... Por que fizera aquilo? Agora tinha que assumir o feito! Ela suspirou longa e profundamente. Faria Luiz feliz já que ele havia largado sua família por causa dela.

Quando Luiz voltasse iriam conversar. De maneira muito explícita dizer o que sentia e porquê. Para que entre eles tudo fosse muito sincero. E que tentaria superar tudo para que tivessem uma vida tranqüila e feliz juntos.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Cap 8 - TEMPO DE SER FELIZ


Tocar o interfone, subir no elevador e entrar no apartamento, foram atitudes mecânicas. Só quando se viu frente a frente com Luiz, sendo acolhida de maneira carinhosa, foi que Laura conseguiu respirar mais aliviada e com alguma esperança:


- Eu refleti seriamente sobre tudo – ele informou. – Sei que sua decisão foi baseada no que sente por mim e não vou deixar você enfrentar isso sozinha. Eu vou ficar com você. Claro, se você quiser ficar comigo.


Os olhos dela brilham de alegria e um beijo apaixonado sela o compromisso entre eles.


Mais tarde daquela noite, Luiz viaja para sua cidade, prometendo que logo retornaria, e definitivamente.


A rotina se restabelece só que agora cheia de expectativas. Ele telefonava todos os dias, afirmando e confirmando seu amor, e prometendo que em breve tudo se arranjaria.


Em um destes telefonemas ele faz uma proposta irrecusável: lua-de-mel pela Europa, com partida quase que imediata. Ela concorda, feliz... Tinha certeza de que seria um tempo maravilhoso: romântico, e inesquecível...


Férias requeridas, passaporte em mãos, passagens confirmadas, reservas em hotéis... Em questão de semana tudo se arranjara e estavam de malas prontas para embarcar.


Foi na França, primeira parada do roteiro, que Laura se quedou encantada com os jardins de tulipas, em quantidades que jamais sonhara ver juntas. Luiz deliciava-se com a juventude que ela irradiava nesses momentos de euforia, e grato por ter aquela mulher ao seu lado. Mas foi também ali que o primeiro incidente desagradável aconteceu. Um homem que vê o extasiamento de Laura lhe oferece um buquê de tulipas. Ela aceita, admirada e feliz. Por não conseguir expressar-se verbalmente na língua dele, utiliza afetada linguagem gestual para agradecer, o que irrita Luiz, que fica resmungando e ao mesmo tempo alertando-a para tomar cuidado com o homem francês, famoso pela sutileza nas atitudes e conversas cheias de lábia. Ela percebe o ciúme emergente, e se esmera em carinhos. Aparentemente tudo volta ao normal.


Um segundo incidente se dá alguns dias depois, quando Laura prova um vestido, que faz menção de adquirir e Luiz não concorda. Ela insiste, e ele se mantém inabalável. Ela tenta disfarçar a frustração, mas se sente magoada. Tem noção de que é Luiz quem está pagando tudo, e não pode negar que ele tinha sido muito generoso até então, incentivando-a para comprar tudo o que lhe agradasse... Até então Luiz a fizera sentir-se uma rainha... Por que agora lhe recusara aquele vestido???


Nem ele mesmo sabia o porquê... Gostava de mimá-la, fazendo-lhe todas as vontades mas quando a viu com aquele vestido sentiu-se atingido. Não que fosse feio, muito pelo contrário: caia como uma luva no corpo de Laura, desnudando-lhe generosamente os ombros e o colo, deixando-a extremamente sensual.


Laura telefonava freqüentemente para a família, e algumas vezes também falava com Vitor, o que estranhamente não afetava Luiz.


Do mesmo modo ele também telefonava para a família. Laura até perguntara como havia transcorrido o seu processo de separação, mas sentindo-o reticente respeitou. O que importava era que ele estava ali com ela, e para sempre.


Tirando alguns outros pequenos incidentes, envolvendo ciúmes de Luiz, mas logo superados, a viagem e a estadia em cada local foram maravilhosas. Era tão bom sair com Luiz à luz do dia, andar de mãos dadas, namorarem-se em público, sem precisar esconder a euforia do estar juntos, sem camuflar sorrisos e toques, serem um casal em cada momento e situação...

sábado, 12 de dezembro de 2009

Cap 7 - O PREÇO DA LIBERDADE


Os dias vão passando lentamente. Externamente, nada mudara. Continuava trabalhando, fazendo as mesmas coisas de sempre, e ao final do dia, ia para a pensão. Mas interiormente, sentia-se muito só. Por mais entediante e rotineira que era a sua vida ao lado de Vitor, pelo menos ela tinha companhia, vizinhos e vida social...


Até que um telefonema de Luiz dá alegria ao coração de Laura e lhe provoca expectativas: ele previa uma visita para os próximos dias. Como ela ansiava abraçá-lo, sentir-se segura e protegida nos seus braços!


Encontram-se no final do expediente, e como sempre, vão para o apartamento desocupado do casal de amigos. Depois do sexo, ficam juntos, conversando, sem pressa... Como escurecera e Laura não fizera menção de ir embora ele a questiona.


Ela acaba contando que estava separada. E que agora poderiam ficar juntos o tempo que quisessem, sem se preocupar com horários.


A notícia tem o efeito de um balde de água fria na cabeça de Luiz. Era certo que amava Laura com toda a intensidade de seu coração. Mas não esperava por isso. Não lhe passara pela cabeça separar-se. Mas ela o fizera, e não tinha dúvidas, era por causa dele.


Percebendo-o transtornado, ela o abraça carinhosamente. Afirma que tudo continuaria como sempre fora. Que nunca cobraria nada e que se contentaria com aquelas horas que ele dispunha para estarem juntos.


Depois de inteirar-se dos detalhes de sua situação: onde morava, com quem, desde quando, quem sabia, etc., recrimina-a por não lhe ter contado logo da separação.


Ele concorda que ela passe a noite com ele no apto, mas foi, para ambos, uma noite insone cada um deles mergulhados em seus pensamentos e temores. Bem diferente da noite que sonhavam passarem juntos!


De manhã, Laura sai para o trabalho, deixando Luiz dormindo... ou fingindo dormir. Vai com o coração pesado... Sente que ele não gostara nada do fato dela ter-se separado sem consultá-lo e, depois, sem comunicá-lo. Teme que ele decida romper a relação e se afastar dela para sempre.


Foi difícil concentrar-se no trabalho. A manhã termina sem notícias. E ela não teve coragem de tentar estabelecer contato. A angústia se torna maior a cada volta do ponteiro...


No final da tarde ela decide enfrentar a situação e quando ia telefonar, seu ramal toca. Era ele, pedindo para fosse ao apartamento depois do trabalho. Pelo tom de voz, percebe que o assunto era muito sério. E sente-se insegura e temerosa. Mas sabe que, fosse qual fosse o veredicto que Luiz iria lhe impor, teria que aceitar e respeitar.


E neste momento lembrou-se de Vitor, e do que havia feito a ele... Agora era sua vez de acolher uma decisão referente a sua vida, mas deliberada exclusivamente por outra pessoa...

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Cap 6 - ROMPENDO COM O PASSADO


Laura chega em casa e organiza algumas roupas e objetos de uso pessoal em uma mala e fica a espera de Vitor. Está nervosa. Não gostaria de ter que magoar o homem com quem vivera tanto tempo, que sempre foi bom, carinhoso e respeitoso para com ela. Mas não podia ficar enganando-o. Isso era pior do que não dizer nada.

Então, quando Vitor chega, ela comunica que está indo embora porque não se sentia mais feliz ao lado dele. Pego de surpresa, ele emudece, perplexo. Temendo perder a coragem, ela aproveita a situação e sai da casa sem dizer mais nada.

Vitor não entende, simplesmente não entende o que estava acontecendo. Só sabe que Laura, a mulher amada, tinha passado por aquela porta e ido embora de sua vida. Sente um vazio muito grande e pela primeira vez, em muitos anos, chora!

Enquanto dirigia até a pensão, onde já havia reservado um quarto, Laura luta contra as lágrimas que insistiam em descer abundantes, toldando-lhe a visão. Chegando no quarto, cai na cama e dorme profundamente. Havia sido um dia cheio, cansativo e extenuante.

No ambiente de trabalho procura agir com naturalidade. Não comenta nada com os colegas. Afinal, ninguém tinha nada com sua vida, e o fato de ter abandonado o marido não interferiria em sua atividade profissional.

Logo cedo, recebe o telefonema de Luiz para dizer que chegara bem, que fora ótimo o encontro do dia anterior e que a amava cada vez mais. Laura reafirma seu amor e nada conta de sua atitude. Esperaria uma ocasião propícia.

Vitor liga logo a seguir. Pede para conversarem. Ela reluta, não gostaria de encontrá-lo, mas não tem como recusar. E depois, se ele queria saber, a verdade era o mínimo que poderia oferecer-lhe!

Encontram-se num bar, após o expediente. Ao ver sua fisionomia abatida, Laura perde um pouco da segurança. Mas sabe que não era momento de fraquejar. Para o bem de ambos.

Como ele se mantivesse em silêncio, ela decide ir direto ao assunto:

- Vitor, eu estou apaixonada por um outro homem. Sei que você não merece isso mas não acho justo enganar a você e a mim mesma, fingindo uma relação e um amor que já não existem. Você merece uma mulher muito melhor do que eu...

A eloqüência dela o emudece. Percebe que tudo o que tinha preparado para falar iria soar no vazio... Diante de paixão, não tem como apelar para a razão. E ele não tinha mais o que fazer ali. Melhor silenciar e esperar...

- Tudo bem, Laura. Não posso obrigar você a me amar e ficar comigo. Sei que você pensou muito bem antes de decidir fazer o que fez. E está sendo honesta. Então, vá viver sua vida... Adeus!

Ele vai embora e lágrimas lhe brotam espontaneamente. Claro que doeu, afinal, foram 15 anos de relacionamento que acabavam, mas pelo menos aquilo estava resolvido.

Agora era seguir em frente, organizar-se e esperar para ver o que iria acontecer nas próximas semanas...

sábado, 5 de dezembro de 2009

Cap 5 - A GRANDE DECISÃO DE LAURA


Os dois apaixonados falavam-se diariamente, por chat ou telefone, aproveitando de todas as oportunidades que apareciam e sempre achavam pouco. Os encontros reais continuavam acontecendo, mas bem esporádicos. E por isso mesmo, eram ansiosamente aguardados e cuidadosamente planejados.


Luiz amava Laura e gostava de ficar com ela, mas sempre adotava uma série de cuidados quando ia visitá-la, utilizando-se de desculpas plausíveis e insuspeitas para evitar qualquer coisa que pudesse magoar a esposa ou afetar sua relação com ela.


Laura, entretanto, já não fazia questão de justificar sua demora em voltar pra casa após o trabalho ou seu sumiço do expediente, quando Luiz estava na cidade. Mais do que tudo na vida, queria estar com o amado e uma idéia vai tomando forma na sua cabeça...


Fazia algum tempo que a duplicidade de vida estava incomodando a sua consciência. Era-lhe cada dia mais difícil conciliar seus reais sentimentos com a simulação de esposa dedicada. Sentia-se hipócrita pensando e sonhando com Luiz e partilhando a cama com Vitor. Estava chegando a hora de dar um basta aquele casamento já sem sentido.


Ela sabia que Luiz não partilhava de seus escrúpulos e mesmo, não tinha certeza se os entenderia. Por isso, as reflexões e o amadurecimento de sua intenção aconteceram sem o conhecimento e participação dele. Sabia que a separação teria que ser uma decisão pessoal e livre, tendo como motivo que não era mais feliz ao lado dele. O ter conhecido e se apaixonado por Luiz apenas acelerara o processo. E depois, tinha certeza que o amante jamais deixaria a esposa para ficar com ela.


Por isso, decidiu que só comunicaria Luiz quando a separação já fosse caso resolvido e irreversível. Para que ele não tentasse dissuadi-la. Inquietava-a pensar no que ele diria quando soubesse.


E se ele se sentisse traído, pensando ser uma jogada dela para obrigá-lo a também se separar e assumirem um relacionamento público? E se ele se assustasse e sumisse de vez de sua vida? Mas eram riscos que tinha que assumir e enfrentar.


A decisão vai tomando forma e consistência e numa noite, após ter passado o dia nos braços do amado, sente que chegou a hora de falar com Vitor...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Cap 4 - ENFIM, O REAL


O tempo foi passando. A relação ia se tornando mais intima e intensa. Como Laura insistisse em não querer misturar internet com vida real, até então nenhum plano havia sido cogitado envolvendo futuro. Só que a situação começou a se tornar insuportável para ambos. Precisavam de um encontro real. Precisavam se olhar nos olhos e descobrir o que os fascinava daquele jeito, o que os atraía como imãs de pólos contrários.


Enfim, Laura concorda, e ele se propõe vir até a cidade dela. Um amigo de Luiz possuía apartamento ali – inclusive bem próximo do local de trabalho de Laura – e que raramente usava. Poderiam utilizá-lo.


Ainda um tanto relutante, ela concorda. Já que circunstâncias os estavam favorecendo, por que não aproveitar? Combinam tudo detalhadamente.


O coração dela batia muito forte naquele final de tarde de dezembro, dirigindo-se para o local marcado, na entrada de um centro comercial. Nos dias que antecederam, passara por uma crise forte de dúvidas e inseguranças. Mas finalmente sentia-se preparada. Sabia que ia ao encontro de alguém que lhe era especial e qualquer coisa que acontecesse entre eles, se daria com o consentimento mútuo. Isso fizera serenar seu espírito, embora o coração não lhe obedecesse para bater menos forte...


O coração dele também batia descompassadamente, esperando-a. Seus olhos analisavam ansioso, cada rosto de mulher que passava. Sabia que logo ela chegaria e poderia tocá-la, beijá-la, amá-la... Fazia anos ninguém entrava na sua vida com tamanha intensidade e de início se achava um tanto idiota por isso. Mas acabou cedendo à paixão. Era tão bom sentir o corpo reagir, o coração disparar, o pensamento voar até ela, e imaginar cenas eróticas qual um adolescente... Desejava-a tanto que a simples idéia de tê-la a sua frente, como mulher real, o deixava excitado.


Ei-la chegando. Sorriu-lhe, olhando-o nos olhos.


- Luiz? - perguntou, para confirmar.


- Laura? - foi a resposta.


Um abraço forte selou o momento. Abraço que veio espontâneo, estreitando os corpos e extravasando a emoção. Lágrimas emocionadas brotaram sem que pudessem conter.


Caminham até o apartamento conversando tranquilamente. Quando a porta se fechou atrás deles, a vontade de Luiz era de tomá-la nos braços e beijá-la, mas sabia que teria que se conter. Sentam-se e conversam. Sentiam-se livres e à vontade na presença um do outro.


O braço por trás dos ombros delas, um carinho no cabelo, um toque de lábios, e aos poucos ele vai conquistando espaço, e ela entregando-se. Laura correspondia aos beijos ardentes, mas cada vez que a mão dele se insinuava, o impedia de continuar. Mas percebe a decepção e perplexidade nos olhos dele e então pensa consigo mesma que o tem que acontecer, acontecerá. É só deixar as emoções fluírem.


Sentindo seu coração bater aceleradamente, ela toma a iniciativa, unindo os lábios aos deles e conduzindo-lhe a mão em direção a sua coxa...


sábado, 28 de novembro de 2009

Cap 3 - SEXO VIRTUAL


Laura pensava em Luiz constantemente. Ele passara a fazer parte de sua vida e de seus pensamentos, de seus sonhos e de suas fantasias. Do homem misterioso que inicialmente a atraíra pelo anonimato, Luiz ganhara um local no seu coração pela perspicácia, pela transparência, pelo acolhida que revelava. Seus pensamentos convergiam e muitas vezes casavam. Bastava um pensar e outro expressar, quando não escreviam ao mesmo tempo mesmas palavras. A impressão era de que se conheciam desde sempre.


Claro que havia diferenças entre eles, especialmente vivenciais: Luiz era direto e imediatista. O tempo lhe ensinara que cada dia é um dia para ser vivido plenamente. Laura era mais contida e preferia adiar as decisões sempre para frente. Para Luiz o tempo era um inimigo implacável. Para Laura, o tempo era o amigo que tudo resolve...


E apesar de não chegarem a um acordo sobre a função do tempo nas suas vidas, concordavam em tantos outros aspectos... E a relação continuava, fortificada pelos encontros freqüentes por chat, por telefone, por mail... Assuntos nunca faltaram. Conversavam sobre tudo que se referisse a eles: Família, atividades, acontecimentos, crenças, pensamentos, fantasias, aspirações...


Casado fazia 35 anos, Luiz afirmava estar em plena forma sexualmente e sentir mais necessidade de relações sexuais do que a esposa – em climatério – oferecia, o que o levava a lhe ser infiel. Casada há 15 anos, Laura sentia-se insatisfeita com sua vida sexual, não pela freqüência, mas pela falta de criatividade do marido. Nunca lhe fora infiel, mas não se sentia feliz.


Luiz, cuja primeira motivação era sexo virtual, já não insistia nisso, pregando que deveria acontecer se ambos quisessem. Deixara claro que ele queria. Quando ela quisesse... Então aconteceu, cinco semanas depois do primeiro encontro, como conseqüência natural das conversas e dos sentimentos que os dominava. O que os uniu mais ainda...


Luiz e Laura sentiam-se profundamente envolvidos. Havia algo muito forte que atraía e impulsionava um para o outro... Isso era maravilhoso, mas também era motivo de questionamento!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Cap 2 - O MUNDO VIRTUAL

Os encontros virtuais entre Laura e Luiz aconteciam nos intervalos de tempo que ele dispunha no trabalho, ou em casa, nas ausências da esposa. Laura acessava apenas do escritório, onde trabalhava, e na ausência do chefe. Nem sempre os horários combinavam. Era uma limitação, mas o desejo de estarem juntos e conversarem, fez que criassem uma nova rotina, e o intervalo do horário de almoço se tornou o momento de encontro....


Nestas ocasiões, o tempo lhes parecia adverso. Os minutos voavam sem que eles se dessem conta. Os assuntos eram inesgotáveis. Sempre havia algo mais a comentar, a esclarecer, a indagar. E as despedidas, então, sempre um queria dizer um tchau a mais, fazer uma recomendação, expressar uma frase de carinho...


Como aliados fiéis contavam com o correio eletrônico, que conduzia rapidamente as mensagens, permitindo que em tempo real pudessem manifestar um ao outro os sentimentos que afloravam. E o telefone, no qual falavam-se regularmente.


E, além destas ocasiões, em qualquer tempo, havia o pensamento que freqüentemente voava direcionado de um para o outro.


Se não bastasse o pensamento informal, adotaram outros sinalizadores para ativar a lembrança e o encontro mental. A lua cheia era um. Quando olhavam o céu com a lua brilhante e majestosa, sentiam-se unidos, onde quer que estivessem, sob a mesma paisagem e mesmo pensamento.


Tulipas era outro sinalizador. Laura, que até então nunca havia reparado na existência daquela bela e sofisticada flor, passou a notá-la e admirá-la depois que Luiz começou a cobri-la de tulipas virtuais quando chegava para falar com ela e a dizer que via na flor a imagem de sua bem-amada.


Logicamente que, entre tantos outros assuntos, falavam da possibilidade de um encontro real, mas ainda como um sonho, apesar de plausível, pois a distância geográfica entre eles era de menos de 300 km, irrisória para os tempos atuais.


Cada vez que Luiz embrenhava para esse lado, Laura evitava o assunto e ignorava a proposta. Não se sentia ainda preparada e por isso adiava a possibilidade de se encontrarem frente a frente para um futuro, talvez não tão próximo...


E assim, enquanto as coisas não se encaminhavam para o presencial, a imaginação e a fantasia faziam a festa no virtual...

sábado, 21 de novembro de 2009

Cap 1 - O ENCONTRO

Ela se sentia chateada naquela tarde. Queria conversar com alguém. Por isso entrou na internet, naquela sala de chat. Então ele apareceu. Entrou como Anônimo. Foi direto ao dizer que procurava conversas excitantes e sexo virtual. Ela não chegou a se escandalizar, pois não era o primeiro deste tipo que encontrava. Fosse em outra ocasião provavelmente teria corrido. Mas até dar assunto para um conquistador internético era melhor do que continuar sozinha.


Ele insistia em seu propósito. Ela esquivava-se, sem, entretanto, lhe dizer um não direto. Envolveu-o num jogo de oferecer e negar, de atiçar e recuar que o seduziu ao mesmo tempo em que se sentia seduzida...


Quando ele saiu da sala virtual, ela continuou pensando nele... Percebeu-o um homem culto, inteligente e perspicaz. Teria gostado de conhecê-lo melhor. Quem seria ele? Explicara que usava de reservas porque era casado e não queria magoar a esposa... Mas seria só isso?


Como ela freqüentava a sala de chat sempre com o mesmo nick, dois dias depois, ele reaparece na sala e fala com ela. Conversaram como velhos amigos e quando ele se vai, a impressão inicial se confirma: dava-lhe imenso prazer teclar com ele.


E houve um terceiro, e um quarto encontros. O clima de reservas, mas de muita sinceridade, mantinha e atiçava o interesse. Era excitante invocar a fantasia para tentar adivinhar quem poderia ser aquele homem que chegava carinhoso, carregado de tulipas virtuais, e se mantinha no anonimato...


Aos poucos vêm à tona algumas informações deles próprios, mas respeitavam-se, não perguntando mais do que o outro contava, apesar de se terem dito mutuamente que gostariam de se conhecer melhor! As conversas eram prazerosas, para ambos, que sabiam usar de sutileza e sensibilidade, jogando com palavras e com emoções.


Mas um dia ela deixou escapar uma informação sobre sua cidade, e ele começou a fazer perguntas, e acabou que se apresentaram: Luiz, aposentado, 60 anos. E ela também se apresenta: Laura, contadora, 40 anos.


Pronto, acaba-se o mistério! Só que o encanto não. Os encontros continuaram acontecendo, agora mais explícitos, um perguntando para o outro aquilo que antes ficara em aberto, desfazendo as dúvidas, preenchendo as lacunas... E foram se conhecendo cada vez mais. O prazer, então, consistia no desvendamento mútuo. E cada vez mais um gostava do que via no outro...



sexta-feira, 20 de novembro de 2009

CONTO INÉDITO... AQUI NO BLOG

Meu amigo David fez uma sugestão interessante: a publicação de um conto, em capítulos, aqui no blog.
Acatei a sugestão e a partir de amanhã, toda quarta-feira e sábado estarei publicando um capítulo de um conto inédito.
PRIMAVERA NO OUTONO DA VIDA conta a história de um homem que, no outono da vida, apaixona-se por uma mulher bem mais jovem e decide reencontrar a primavera ao lado dela.


sábado, 14 de novembro de 2009

A LINGUA LAMBE - Carlos Drumond de Andrade


A língua lambe as pétalas vermelhas
da rosa pluriaberta; a língua lavra
certo oculto botão, e vai tecendo
lépidas variações de leves ritmos.

E lambe, lambilonga, lambilenta,
a licorina gruta cabeluda,
e, quanto mais lambente, mais ativa,
atinge o céu do céu, entre gemidos,

entre gritos, balidos e rugidos,
de leões na floresta, enfurecidos.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

APRENDIZ DE FEITICEIRA...

Quem de nós nunca se imaginou com poderes... fosse para ajudar alguma pessoa sofrendo, fosse para dar vazão aos nossos desejos de vingança?

Pois não fui diferente. Brinquei muito de ser bruxa. Emiti muita bênção e roguei muita praga... Que funcionaram!

A notícia boa é que tem seu lado de verdade... Todas nós, mulheres, temos nosso lado de Bruxa...

Afinal, não somos nós, capazes, de em nosso ventre, gerar uma nova vida? Ter o Poder da Vida não é, por si só, um poder imenso?

Quando quem amamos fica doente, não exercemos nosso Poder da Cura? Seja dando remédio, fazendo curativo ou segurando a mão.

Nas dificuldades familiares não estamos ali exercendo nosso Poder de Mediação para que todos vivam em harmonia?

Nos momentos de crises, não manifestamos a Sabedoria para aconselhar? Não incentivamos a Paciência de esperar? Não pregamos a Fé para continuar acreditando?

E acima de todos os poderes, nós temos o Poder de Amar incondicionalmente aqueles que a Vida coloca em nosso caminho. Embora muitas vezes acabamos ignoradas, incompreendidas, criticadas, exploradas e abusadas por eles.

E por que isso acontece?

Vejamos as bruxas dos contos infantis. Elas não se enquadram no perfil de pessoas boas porque lutam ferozmente pelos seus interesses pessoais. Porque dificultam o "felizes para sempre" de enamorados imaturos. Porque se colocam contra tudo e todos quando se trata de defender idéias e principios.

Não defendo os métodos utilizados pelas bruxas das histórias. Mas as suas atitudes. De firmeza, coragem, perseverança. Que devemos trazer para nossas vidas práticas.

Pergunto:

- Será que não nos falta esta "maldade" de nos amar mais do que amamos os outros?

- De seguir em frente diante da falta de apoio e das críticas?

- Será que temos a coragem de entrar em batalhas perdidas em nome de ideais?

- De fazer o que é certo sem medo de desempenhar o papel de bruxa má?


Pensemos nisso!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

AJUDE MINHA INSPIRAÇÃO...

Conversando com minha amiga Di (Simplicidade), comentei que estava sem inspiração para escrever os contos que eu publico no Recanto das Letras (http://recantodasletras.uol.com.br/autores/clasq)...

Ela me deu uma sugestão muito interessante que estou pondo em prática: a de consultar meus leitores.

Então pergunto:
  • O que eu deveria escrever?
Fico aguardando sua ajuda. Pode ser um assunto, sinopse de história, ou o que a criatividade sugerir...

Envie como comentário aqui no blog, ou se preferir por email ou msn (escritora.ayla@msn.com)
.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

PAVÊ DE COCO

Partilho com vocês uma receita que aprendi nas aulas de "Educação para o Lar" (sério, sou do tempo que tinha esta disciplina no currículo do ensino médio), e que faz o maior sucesso aqui em casa, tornando-se a sobremesa que tem a minha cara...

PAVÊ DE COCO
Ingredientes:
  • 3 1/2 xíc (chá) de açúcar
  • 2 cocos ralados
  • 1 litro de leite
  • 4 colh (sopa) de maisena
  • 1/4 kg margarina sem sal
  • 500g de bolacha champagne
  • 1 pac de açúcar de baunilha
  • 6 gemas
  • 4 claras
1º Creme:
Fazer um creme com as gemas, leite, maisena, açucar de baunilha e 2 xíc de acúcar. Deixar esfriar.


2º Creme:

Bater a margarina com 1 xíc de açúcar até ficar cremosa.

Juntar o coco ralado cru, do qual se reserva 1 xícara para enfeitar.


Preparo:

Mistura-se os dois cremes.

Colocam-se camadas alternadas de creme e biscoito champagne. A primeira e a última devem ser de creme.


Cobertura:

Merengue das claras com a 1/2 xícara de açúcar restante.

Por fim, o coco ralado reservado.
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